Collab Farm e Adidas: Qual o Segredo da Longevidade?

A colaboração entre Farm Rio, Adidas e Real Madrid chamou a atenção ao unir o futebol europeu à identidade visual brasileira. Com jogadores como Vinícius Júnior e Jude Bellingham na campanha, a coleção também destaca uma parceria que atravessa fronteiras: Farm e Adidas desenvolvem coleções juntas desde 2014, com alcance em mais de 55 países.

Para manter uma colaboração por mais de uma década, é preciso renovar a parceria ao longo do tempo, renegociando condições sem desgastar a relação comercial. É nesse processo que a estrutura jurídica pode fazer a diferença.

Por que o contrato precisa durar mais que a campanha?

Uma ação de marketing tem começo e fim, mas seus efeitos podem permanecer por anos. Os produtos continuam em circulação e as criações desenvolvidas em conjunto passam a integrar o patrimônio intelectual da colaboração. Por isso, o contrato precisa prever responsabilidades, como as condições de uso das marcas e das criações após o encerramento da campanha.

A arquitetura contratual das parcerias longevas

Para colaborações com edições sucessivas, o contrato guarda-chuva (Termos & Condições da Colaboração) pode reunir as regras que permanecem ao longo do relacionamento, como a titularidade das marcas, os padrões de qualidade, a rescisão, a confidencialidade e a solução de controvérsias. Cada nova coleção é formalizada em um instrumento próprio, que integra o contrato guarda-chuva (comumente chamado de Formulário da Coleção, Order Form ou Pedido de Compra) e traz os valores, prazos, cronogramas e demais condições comerciais daquela edição.

Essa estrutura evita que as partes precisem renegociar toda a relação a cada lançamento. Isso não significa, porém, que o contrato guarda-chuva deva ser adotado desde o início. Quando o resultado comercial ainda é incerto, uma primeira edição com escopo delimitado permite avaliar a parceria antes de estruturar as próximas etapas.

Exclusividade e propriedade intelectual: o que definir?

Parcerias duradouras não dependem necessariamente de exclusividade total. Delimitar as restrições por categoria de produto, período e território permite que as marcas mantenham outras colaborações sem comprometer a relação principal.

A propriedade intelectual também merece atenção desde a negociação. Na coleção da Farm, Adidas e Real Madrid, foram apresentadas cinco estampas inéditas desenvolvidas pela marca brasileira. Em colaborações desse tipo, é importante definir quem será o titular das criações, quem poderá reutilizá-las, em quais produtos e por quanto tempo. Também é necessário estabelecer em nome de quem serão realizados os registros nos territórios de interesse.

Quando a collab impulsiona a expansão internacional

O lançamento da coleção ocorreu em paralelo à abertura da primeira loja temporária da Farm em Madri, no bairro de Salamanca. O movimento ilustra como uma colaboração pode acompanhar a entrada em novos mercados e ampliar o alcance de uma marca.

Nesse cenário, o contrato precisa considerar os territórios de comercialização, os canais de distribuição e a proteção das marcas nos países de destino. A análise das regras locais aplicáveis também integra o planejamento da operação.

Para empresas que desejam iniciar uma collab ou transformar uma ação pontual em uma parceria recorrente, o planejamento jurídico deve acompanhar a estratégia comercial desde o início, criando condições para renegociar, inovar e desenvolver novas oportunidades sem expor os ativos do negócio a riscos desnecessários.

30/10/2026
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